segunda-feira, 26 de março de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

Motocão 2012


Motociclismo: paixão sem fronteiras 

SÃO MIGUEL DO OESTE

Camila Hundertmarck

O Motocão chega à sua 14ª edição com o maior público de todos os tempos. Apaixonado por motos, os visitantes e os motociclistas da cidade aproveitam o clima do evento para demonstrarem toda sua paixão pelo veículo de duas rodas. Ronco de motores, uma infinidade de personalidades e características e motocicletas de todas as cores e modelos.
Os visitantes vêm de muitos lugares. Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná são alguns dos estados que marcam presença em todas as edições do Motocão. Odair Hamilton Hemert, 57 anos, não veio de tão longe, mas relata que não perde nenhum encontro de motocicletas do país. Acompanhado da esposa, Odair visita São Miguel do Oeste todos os anos na época do evento. Ele conta que já viajou o mundo inteiro com seu triciclo. “Já fomos para Salvador, Bahia, Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, só de triciclo. A sensação de liberdade é muito boa, de conhecer o Brasil e era um sonho que está sendo realizado agora. Vale muito à pena”, relata.
            Odair e a esposa participam do Moto Grupo Traink do Oeste, de Chapecó. Ele conta que durante a semana todos trabalham, para somente na no sábado partirem para os encontros de motociclestas do país inteiro. “A gente trabalha até a sexta-feira e no sábado a gente vai para os encontros. Todo o ano nós viemos no Motocão, é muito bom, muito bem organizado”, explica. Depois de São Miguel do Oeste, o casal já tem rumo certo. No próximo final de semana eles devem seguir rumo à cidade catarinense de Arvoredo. “A cidade mandou o convite do evento e, com certeza nós vamos. Nós já fomos ano passado e vamos de novo este ano”, conclui.

EXPOSITOR E APAIXONADO POR MOTOS

            Além dos visitantes que vêm rumo à cidade para diversão e entretenimento, muitos chegam a São Miguel do Oeste para exposição de seus produtos nas barracas que ficam nas ruas laterais à área coberta. George Pinto, 56 anos, veio da cidade gaúcha de Porto Alegre com outros dois amigos à bordo de um microônibus. O gaúcho trouxe para venda as esculturas de papel e fibras que ele mesmo produz. George conta que apesar de terem vindo de ônibus, o grupo é amante de motos e esse é o principal motivo de viajarem pelo país todo. “A gente gosta de moto, o motivo de a gente viajar mesmo é a moto e como temos que trabalhar, a gente vai conseguindo conciliar para que dê certo. De problema mesmo, só saudade da família, pois ficamos até 20 dias fora”, explica.
George destaca ainda que quando viaja de moto, sempre tem a companhia da esposa. Ele conta que as viagens acontecem por todo o sul do país. “Quando viajo de moto ela vai junto. Quando viajo de ônibus, ela fica. Mas no fim de semana quando eu posso, fujo. É uma paixão pelas motos e por viajar”, relata.
A próxima parada, segundo ele, é na cidade de Gravatal. Só depois de participar do encontro da cidade catarinense é que George e os amigos retornam para Porto Alegre para rever a família. “A gente viaja bastante, vamos a todos os eventos no Rio Grande do Sul e fora também. Viemos de Ijuí para cá e daqui vamos para Gravatal, em outro encontro”, finaliza.

ACROBACIAS SOBRE DUAS RODAS

Na noite do último sábado e na tarde do domingo, dia 11, a equipe Giro Total de Estância Velha, Rio Grande do Sul, se apresentou para o público migueloestino. Há nove anos, a Equipe percorre as cidades do Sul do país fazendo acrobacias sob as duas rodas. Conforme um dos pilotos, Rodrigo Nunes, a equipe é formada por um mecânico, dois pilotos e um locutor. Rodrigo conta que as motos usadas no show possuem alterações próprias para o tipo das acrobacias. “Nós temos um mecânico próprio que cuida de todas as motos. É preciso fazer algumas alterações para que elas aguentem”, explica.
Segundo ele, em nove anos, nunca houve qualquer tipo de acidente durante as apresentações do grupo. “A nossa preocupação é nos preservar e preservar o nosso público”, destaca. Rodrigo conta que a sensação durante os shows é de liberdade. “É um lugar que a gente gosta. E sabemos que quem está ali curte motos então é muito gratificante”, relata. Rodrigo divide a pista com o também piloto e dono da equipe, Ademir Zimermann.  Zimermann conta que a esposa é parceira e sempre que pode, o acompanha nas viagens. “Cada um tem seus trabalhos durante a semana e, nos finais de semana, viaja com a equipe. É um extra. Minha esposa é parceira, ela sempre participa”, conta. 

terça-feira, 13 de março de 2012

ELAS CONQUISTAM O MERCADO

Mulheres garantem lugar no mercado, mas 
salário ainda é inferior ao dos homens

A mulher, que representa a maior parcela da população, viu aumentar seu poder aquisitivo, o nível de escolaridade e conseguiu reduzir a defasagem salarial que ainda existe em relação aos homens

SÃO MIGUEL DO OESTE

Camila Hundertmarck

A cada ano que passa, a classe feminina continua a aumentar a sua inserção no mercado de trabalho.Hoje as mulheres estão adotando, cada dia mais, uma postura atuante, não apenas pelo seu próprio esforço, mas também pelas exigências do mundo moderno.  Os últimos 20 anos foram essenciais para que elas fortalecessem a sua participação no mercado e garantissem sua responsabilidade no comando da família.
A história da mulher no mercado de trabalho começou com a I e II Guerras Mundiais, nos anos de 1914 a 1918 e nos anos de 1939 a 1945. Naquela época, os homens atuavam nas frentes de batalhas e se tornava responsabilidade das mulheres o cuidado com a casa e com os negócios da família.No século XIX, no entanto, várias mudanças ocorreram na organização do trabalho feminino. Com a consolidação do sistema capitalista e com o desenvolvimento tecnológico, a maior parte da mão-de-obra feminina foi transferida para as fábricas.
Com o passar do tempo, porém, as mulheres, maior parcela da população, viram aumentar seu poder aquisitivo, seu nível de escolaridade e conseguiram reduzir a defasagem salarial que ainda existe em relação aos homens.Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas revelam que em 2010, a participação das mulheres na população economicamente ativa foi de 45,3%. Em 2003, a participação feminina era menor, com 43%.


AS MULHERES NO COMANDO
Pouco a pouco as mulheres vão ampliando seu espaço na economia nacional e garantindo a execução de funções que, antes, eram destinadas apenas para o sexo masculino. Pesquisas recentes apontamo crescimento espantoso do número de mulheres em postos diretivos nas empresas e instituições.Marilene Stertz, 56 anos, é uma delas. Pró-reitora acadêmicae professora da Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc), ela é responsável pelo controle do ensino, da pesquisa e da extensão na universidade.
Marilene conta que desde muito cedo já sabia que profissão seguiria. Sua introdução no mercado de trabalho teve início na área da educação, quando ela optou por seguir seu sonho e fez um curso no magistério. “Minha história como profissional começou com o próprio investimento na área da educação. Fiz um curso do magistério em nível de ensino médio porque eu realmente queria ser professora”, relata.
Antes de exercer a atual função, ela foi graduada em Letras e fez especialização em Comunicação Social. Em 1974, Marilene realizou seu sonho e se tornou professora das disciplinas de literatura e língua portuguesa para turmas do ensino médio. Hoje, a pró-reitora desempenha uma das funções mais importantes dentro da Universidade, mas garante que o comprometimento continua. “Eu tenho muito orgulho de onde cheguei e isso sempre me remete a me preparar mais e melhor. Eu me sinto muito bem e muito feliz com isso que eu faço. Eu me realizo”, afirma.
Para a profissional,a mulher já garantiu seu espaço no mercado de trabalho. O motivo, segundo ela, é o investimento em cursos de ensino superior e a responsabilidade em trabalhar coletivamente. “A mulher tem capacidade para cuidar de detalhes, atua com equilíbrio entre emoção e razão e estámais aberta e flexível às mudanças. Ela trabalha numa perspectiva coletiva e valorizam opiniões”, justifica.
A pró-reitora avalia ainda que o antigo modelo hierárquico que colocava os homens como chefe dos negócios e da família, fez com que hoje a mulher continue em segundo plano no mercado de trabalho. “Os padrões tradicionais com base numa visão patriarcal onde o homem manda,vem historicamente se perpetuando. Mas as organizações modernas no serviço público quanto no privado vem modificando tal padrão. Hoje o salário depende do conhecimento que considera habilidades e competências”, conclui.


ESPOSA, MÃE E PROFISSIONAL
A história da mulher no mercado de trabalho, no Brasil, está sendo escrita com base na queda da taxa de fecundidade e no aumento no nível de instrução da população feminina. Hoje o perfil das mulheres é muito diferente do perfil apresentado no começo do século. Além de trabalhar e ocupar cargos de responsabilidade, ela concilia as tarefas tradicionais: ser mãe, esposa e dona de casa.
Otília Donato Barbosa, tem 38 anos e é coordenadora do curso de Sistemas da Informação da Unoesc. Casada e com um filho de quatro anos, ela precisa se dividir entre as tarefas profissionais e o ambiente familiar. “É uma rotina bastante corrida. Fico em casa de manhã e trabalho nos turnos da tarde e da noite na Unoesc. Eu saio da universidade no final da tarde, busco meu filho na escola e fico um pouco com ele antes de voltar a trabalhar à noite”, conta.
Otília ingressou no mercado de trabalho como estagiária de um curso técnico em eletrônica, mas logo garantiu turmas do ensino médio para dar aulas. Com o passar do tempo, ela começou a graduação em Sistemas da Informação e ministrou aulas por dois anos na universidade. Hoje ela coordena outros três cursos e afirma que a busca pelo seu lugar no espaço teve raízes na família. “Meu marido me incentiva bastante. Ele sempre apoiou que eu estudasse. Nós já viemos de uma família onde as mulheres não ficavam somente em casa com os filhos, elas já trabalhavam, então foi um processo natural”, justifica.
A coordenadora destaca ainda que o preconceito com a classe feminina vem diminuindo com o passar do tempo. Para ela, o preconceito parte das próprias mulheres em relação à algumas áreas profissionais. “Na área da informática ainda há uma quantidade pequena de mulheres. Temos ainda a necessidade de convencer as mulheres de que a informática é uma área para elas também. Talvez seja um preconceito das próprias mulheres, pois, tem empresas daqui da região que até pedem mulheres como funcionárias. Elas têm um perfil que a empresa procura”, opina.


A CLASSE FEMININA E A INDEPENDÊNCIA

Nível de escolaridade tem contribuído para conquistar a 
“tão sonhada” independência

Um levantamento feito pela Universidade do Oeste de Santa Catarina Unoesc), aponta que mais da metade do número de acadêmicos da instituição são do sexo feminino. Para um total de 4310 em todos os campus da Universidade no oeste do estado, cerca de 2810 são mulheres.Em São Miguel do Oeste os cursos mais procurados pela classe feminina são os cursos de direito, com 345 mulheres, administração, com 221 e enfermagem, também com 221 alunas.
Além do grande número de mulheres que buscam a graduação na região oeste, a universidadepossui também um número elevado de mulheres em cargos de docência e coordenação. O levantamento mostra que de 195 professores, 97 são mulheres.
Leoní Serpa é uma das 97 professoras e coordenadoras da Universidade. Responsável pelo comando das turmas de Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo e Publicidade e Propaganda. Ela conta ter dividido com as seis irmãs, desde muito cedo, o desejo da independência. “Eu venho de uma família de seis mulheres. Talvez por conta de estar dentro de uma família com muitas mulheres, a gente sempre foi muito batalhadora e todas alcançaram êxito profissional. Hoje tem na família, biomédica, advogada, arquiteta, contadora e eu que sou jornalista. Todas nós construímos nossos espaços por nós mesmas e não pela indicação de alguém”, relata.
A professora destaca ainda que apesar do preconceito que ainda existe, a classe feminina têm garantido o seu espaço com base na competência e profissionalismo. “Toda a mulher tem essa coisa do inovador, do desafiador. Talvez pela minha personalidade eu tenha encontrado algum preconceito, mas eu não senti esse preconceito diretamente e sim de forma velada. Todas nós somos testadas o tempo todo. Ou somos determinadas ou não alcançamos o que queremos. Se a sociedade acha que precisa ter uma data é porque ainda não existe um entendimento de que esse gênero é fundamental para a sociedade”, opina.

PROJETO BUSCA IGUALDADE SALARIAL NO PAÍS
Apesar do crescimento da classe feminina em cargos de diretoria, o salário continua desigual em relação ao dos homens. Segundo uma pesquisa recente feita por uma empresa de recrutamento e seleção de executivos, as mulheres ganham, em média, 22,8% a menos que os homens.
A boa notícia é que essa diferença nos rendimentos deve cair rapidamente com a aprovação do projeto que multa as empresas que pagarem às mulheres salários inferiores aos dos homens quando ambos ocuparem as mesmas funções. O objetivo é encontrar uma forma de acabar com a discriminação entre os sexos.Após a aprovação do projeto, o Senado estipulou que a multa será de cinco vezes a diferença entre os salários durante todo o período de contratação da funcionária. Como a proposta foi aprovada em última instância, ela deve seguir agora para sanção da presidente Dilma Rousseff. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Atrativo


Pizza em metro atrai visitantes de toda a região

SANTA HELENA

Camila Hundertmarck

De origem italiana, a pizza faz sucesso também entre os brasileiros do Norte ao Sul do País. No município de Santa Helena, a pizza deixou seu formato tradicional para ganhar proporções bem maiores. Na pizzaria do casal Dárcio e Eliane Rigão é quase impossível encontrar uma cadeira vazia. Moradores das cidades vizinhas lotam o local para provar a especialidade da casa: a única pizza em metro da região Oeste catarinense.
Dárcio e a esposa são naturais de Santa Helena, mas moraram cerca de cinco anos na cidade de Turin, na Itália, onde trabalhavam em uma churrascaria. Ele conta que a ideia surgiu quando o casal visitou uma pizzaria nos Alpes italianos. “Nós saímos para conhecer alguns lugares e o italiano, dono da churrascaria onde eu trabalhava, nos levou para conhecer uma pizzaria perto dos Alpes, na divisa com a Suíça. Foi lá que conhecemos a ideia”, relata.
Após algumas idas à pizzaria, Dárcio e Eliane se tornaram amigos do dono, que não hesitou e resolveu passar a receita da famosa pizza ao casal. “Ele sempre ia até a churrascaria onde trabalhávamos e a gente criou uma amizade com ele. Aí ele nos passou a receita da massa e do molho da pizza, até porque éramos brasileiros e não iríamos colocar uma pizzaria na Itália”, justifica.
O casal de brasileiros morou na cidade italiana de 1994 até o ano de 1999 e só resolveu retornar ao Brasil quando descobriu que teria um bebê. “Voltamos para o Brasil porque minha esposa ficou grávida e queríamos que o bebê nascesse brasileiro”, conta. Ao chegarem ao Brasil, Dárcio e a esposa moraram por um tempo em Brusque, no Norte de Santa Catarina, mas não demorou muito para que decidissem voltar à cidade natal.
Em Santa Helena, o casal comprou o prédio de um antigo bar e abriu uma lanchonete que, com o passar do tempo, foi sendo reformada até se tornar uma pizzaria. “Com o tempo fechamos a frente, que era aberta, e implantamos o forno à lenha. Antes fazíamos pizzas para o público local, mas quando surgiu a massa em metro moradores de todas as cidades da região começaram a aparecer por aqui”, lembra.
Quando a novidade se espalhou, a pizzaria “Feito à Mão” ficou famosa na região. Dárcio explica que um metro de pizza rende em torno de 40 pedaços e custa em média R$ 55,00. “É uma pizza para famílias, pois cada metro rende em torno de 40 pedaços. Então todos que vêm com uma turma grande”, relata.
         No início a propaganda foi feita por meio da rádio  e de cartões distribuídos na cidade. Hoje, no entanto, o dono diz que a propaganda é feita pelos próprios clientes que frequentam a pizzaria. “O que mais rende clientela é o ‘boca a boca’. O pessoal vem aqui e depois sugere para os amigos. Temos uma carteira fixa de clientes e todos que vêm acabam voltando. A pizzaria funciona de quarta à sexta-feira e tem clientes que frequentam pelo menos uma vez por semana”, garante. Ele revela ainda que o sistema da pizzaria é baseado no europeu.  “Por isso todo mundo que quiser vir à pizzaria tem que ligar antes para reservar e garantir o lugar, para não chegar aqui e ficar esperando”, explica.
         Com uma clientela grande, a pizzaria existe há quatro anos e tem seis funcionários entre garçons e pizzaiolos. Dárcio cuida da parte de atendimento aos clientes, enquanto a esposa Eliane põe, literalmente, a mão na massa. O casal conta que se surpreendeu com a fama que a pizzaria ganhou em algumas cidades da região. “A gente não imaginava que ia chegar a essa proporção. A vantagem é que se não dá dinheiro a gente come o estoque. Mas dá, sim, pra viver disso”, finaliza.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Instinto Materno

Cadela adota e amamenta gato recém-nascido
SÃO MIGUEL DO OESTE

A cadelinha Sheron, de pouco mais de um ano, demostra todo seu desejo de ser mãe, cuidando e amamentando a gatinha recém-nascida Cristal

Texto e fotos: Camila Hundertmarck

Sheron e Cristal
Sheron e Cristal vivem uma relação diferente. A gatinha abandonada pela mãe biológica, mama e recebe a proteção da nova mãe há uma semana. O amor entre os dois animais chamou a atenção dos donos e vem comovendo os vizinhos. Eliane Diehl e Diego Trentin encontraram a gatinha Cristal na terça-feira de carnaval em uma associação campestre onde foram almoçar com a família.
Eliane conta que a gatinha foi encontrada encima de uma pilha de lixo e entulho. Ela estava muito machucada e ainda tinha junto ao corpo o cordão umbilical. “Nós encontramos a gatinha jogada no meio do entulho. Meu marido foi buscar ela perguntou para uma mulher se ela tinha mãe, porque ela estava machucada e com um olhinho furado. A mulher disse que a gata que é mãe dela, não cuida dos filhotes, aí nós resolvemos ficar com ela”, relata.
Ao chegar em casa, Eliane se preocupou quando notou que a temperatura do corpo do filhote estava cada vez mais baixa. Foi aí que surgiu a ideia de colocá-la encima da barriga da cadelinha Sheron para que ela se esquentasse. “Quando chegamos em casa vimos que ela estava gelada. Peguei uma mamadeira de boneca e tentei dar leite para ela mas não consegui. Tive a ideia de colocar a gata na barriguinha da Sheron, para ver se ela se esquentava, senão ela ia morrer de frio”, conta.
Eliane recorda que Sheron não se incomodou com a presença do filhote e até deixou que ele se esquentasse junto ao seu corpo. Poucas horas depois, Eliane e o marido se surpreenderam quando perceberam um líquido branco na barriga da cadelinha. “Nós íamos esperar até o outro dia para ver se ela ia conseguir sobreviver e se ela conseguisse nós íamos tentar dar leite de novo para ela ou levar no veterinário pra ver o que podia ser feito. De repente nós fomos olhar as duas e vimos que a Sheron estava com a barriga molhada. Nós até pensamos que pudesse ser xixi da Cristal, mas, quando vimos, era leite. Eu apertei as tetinhas para ver e ela tinha leite em todas”, explica.
Diante da surpresa, os pais da cadelinha Sheron resolveram leva-la junto com seu filhote adotivo para uma consulta no veterinário. Eliana conta que até mesmo o veterinário se surpreendeu com o que viu. “Nós levamos as duas no veterinário e ele falou que a gatinha deve estar com uns seis dias. Agora estamos dando suplemento para ver se ela mantem o leite. Ela está cuidando da Cristal como se fosse filha dela”, relata.
Diego e Eliane com os papais de Cristal

A ADOÇÃO DE SHERON
Assim como a pequena Cristal, a cadelinha Sheron também foi adotada pelo casal Eliane e Diego. Eliane conta que se sentiu na obrigação de proteger a cadelinha vira-lata quando percebeu que estava em perigo. “Peguei ela na favela, o dono queria matar. Eu fiquei com pena e trouxe para casa”, afirma.
 Hoje, Sheron e o poodle Benjamim fazem o que parecia impossível no mundo animal. Os dois se uniram para cuidar do pequeno filhote e não saem mais de perto dele. “Benjamim aceitou muito bem a Cristal e até ajuda a cuidar dela. Até porque eles se gostam muito e eu acho que é por isso que ele ajuda a Sheron a cuidar”, justifica.
Sheron não sai mais de perto do pequeno filhote


ALEITAMENTO
         O veterinário Diego Rossini foi quem prestou o atendimento à Sheron e seu filhote adotivo. Ele conta que se surpreendeu e emocionou com a situação. “É uma emoção e gratificação muito grande porque não é uma coisa comum de a gente ver. Se ela não adotasse a gatinha, provavelmente ela ia vir a óbito” relata. 
        Diego explica que no mundo animal, é difícil acontecer a adoção de animais de diferentes espécies, porém, não é impossível. “Não quer dizer que seja comum e nem raro, depende muito do animal ter esse instinto materno. Se não houver rejeição por parte do outro animal, acaba sendo comum, principalmente quando se trata de filhotes”, explica.
        O veterinário conta ainda que a produção de leite acontece quando o filhotinho tenta mamar na mãe adotiva. “O estímulo da produção de leite acontece quando o filhotinho tenta mamar. Nesse caso, os hormônios acabam tendo influência no fator de aleitamento. Nós receitamos medicamentos específicos para aumentar a produção de leite até porque a cadelinha não estava preparada e nunca tinha tido filhotes”, justifica.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Frase do Dia

Sábia Clarissa Corrêa:

"Acabei me afastando de algumas pessoas. A gente sente direitinho quem quer o nosso bem. Se eu estou feliz e você gosta de mim, por favor fique feliz também. Se os seus sonhos e planos não deram certo, por gentileza, não descarregue em mim. Também tenho sonhos e planos que não se concretizaram e nem por isso sou amarga. Nem por isso não desejo a sua felicidade.Difícil mesmo é ficar feliz quando o outro conquista alguma coisa. Quando o outro está com o coração sorrindo. A gente percebe direitinho sorrisos amarelos, olhares não sinceros. Acho isso tão pequeno. Se você gosta de alguém, se é amigo de alguém é obrigação ficar feliz pela pessoa."




Solidariedade

Família abre as portas de casa para 
abrigar animais abandonados

ANCHIETA

Texto e fotos: Camila Hundertmarck


Unidos pelo ideal de diminuir o sofrimento dos animais de rua, a família Della Méa abriga, medica e alimenta cerca de 24 “boquinhas”. Baseado na cooperação, na ajuda mútua e no carinho, Natália Della Méa, 11 anos, abrigou, desde os seus primeiros anos de idade, mais de 30 gatos abandonados e mal tratados pelos antigos donos.  Ela conta que o carinho pelos animais passou de mãe para filha. “Minha mãe começou a cuidar deles e depois eu também quis ajudar. Tenho pena de vê-los abandonados na rua”, justifica.
Natália revela que os cuidados começaram por conta dos inúmeros abandonos e maus tratos a animais na cidade. “Tem gente que solta os gatos em sacolas e caixas na rua. Às vezes encontro alguns embaixo dos motores dos carros, sujos de óleo ou amarrados. Eu os tiro de lá e os trago para casa para cuidar”, relata.

Hoje em dia todos os gatos estão recuperados, mas nem sempre foi assim. Natália conta que já encontrou gatos muito machucados por atropelamentos e até mesmo por outros animais. Quando isso acontece, a família Della Méa se disponibiliza a prestar o socorro necessário e dar abrigo aos gatinhos. “Nós cuidamos deles até se recuperarem e depois eles acabam ficando aqui em casa”, explica Natália.
         Um exemplo é o gato Michi, com seis anos de idade, o mais idoso do grupo. Quem o vê hoje não imagina o que o bichano já passou. A mãe de Natália, Bernadete Della Méa, conta que o gato estava muito debilitado quando a família o encontrou. “Ele foi atropelado, tinha perdido todo o pêlo e andava apenas com as duas patinhas de trás”, lembra. Apesar de o estado de saúde de Michi ter sido grave na época, mãe e filha uniram-se e conseguiram recuperar boa parte dos seus movimentos. “Nós acabamos cuidando dele. Pegamos ele e começamos alimentá-lo e a movimentá-lo todo dia, até que se recuperou”, conta.
         A família se dispôs ainda a cuidar de um cão que apareceu na residência com o maxilar quebrado. O defeito na boca do animal jamais foi curado, mas os cuidados à base de remédios e muito carinho fizeram com que o cão se recuperasse parcialmente. “Ele apareceu por aqui e colocamos remédio na sua boca. Ele até melhorou, mas a mordida continuou atravessada. Por isso temos que dar coisas mais macias pra ele comer”, relata.
Apesar da paixão por gatos ter aumentado nos últimos anos, Bernadete conta que não é de hoje que se disponibiliza a cuidar e dar abrigo aos animais. “Cuidamos de gatos há quase 20 anos. É de família. Já tivemos muitos outros, mas alguns deles morreram envenenados e atropelados e outros foram embora”, relembra. Os gatos dividem o porão da casa de Natália com dois cachorros, mas Bernadete afirma que o que não falta é conforto para os felinos. “Tem cama pra todo mundo”, garante.
         A mãe de Natália relembra ainda que no começo era possível contar com a ajuda de um restaurante da cidade que doava as sobras de comidas para que a família alimentasse os gatos. Após a decisão de um promotor de justiça, no entanto, a família não pôde mais contar com esse tipo de doação e, por isso, teve de procurar soluções para que não faltassem alimentos e remédios aos animais.  “De vez em quando não tem comida. Quando isso acontece, a gente cozinha arroz, pega carne e dá para todos. Nós não gastamos com medicação para a família, mas para os bichos sempre tem que ter”, revela.

A DOR QUE VEM COM O APEGO

Mesmo trazendo muitas alegrias para a família, cuidar de animais de estimação também tem uma parte ruim. O apego e o carinho que aumentam com o passar do tempo fazem com que a hora da despedida seja sempre muito dolorosa. Natália pretende cuidar dos gatinhos por muito tempo, mas conta que a parte mais triste é quando algum deles morre. “Esses dias morreu nas minhas mãos um dos meus gatinhos pretos que sofreu envenenamento. Eu chorei muito”, lembra.
Bernadete explica que a preocupação com os animais abandonados existe, pois não há um local apropriado para deixá-los. “Deviam fundar uma ONG e ter mais consciência para não colocar os animais nas portas das casas. Quem tem um animalzinho tem que cuidar”, finaliza.

Estiagem

Chuva melhora condições de pastagens, mas 
situação da água ainda é problema

SÃO MIGUEL DO OESTE

Camila Hundertmarck

Gerente regional da Casan, Gilmar Rigo
A chuva da última terça-feira chegou a 30 milímetros em São Miguel do Oeste e em várias cidades da região, mas ainda não melhorou o quadro de escassez de água nos municípios do oeste catarinense. Conforme o engenheiro agrônomo da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Mateus Seganfredo, foi possível perceber melhora nas condições das pastagens, mas para recuperar os mananciais de água e a qualidade dos grãos é preciso que chova ainda mais. “Como a parte de pastagem tem a raiz mais superficial, ela vai dar uma rebrotada com esta chuva. Porém, para a questão da água e para a questão de cultura de grãos, especialmente milho e soja, onde foram localizadas muitas perdas, ainda não mudou nada. A situação ainda é delicada, por isso, ainda existe a necessidade de se fazer economia”, explica.
O agrônomo revela que alguns agricultores já começaram o plantio de pastagens de inverno, mas afirma que o problema pode se repetir se a estiagem continuar. “No plantio, algumas pessoas estão até se arriscando a plantar algumas pastagens de inverno. Até haveria condições, mas se ficar uma semana sem chuva, nós vamos ter problema de novo”, justifica.
Conforme o meteorologista Ronaldo Coutinho, a previsão é de pancadas de chuva para quase todos os dias da próxima semana. “Ainda há chances de pancadas de chuva quase todos os dias. Em alguns pontos do oeste choverá pouco e em outras nada. Mas não é uma chuva muito grande, o importante é que ajuda na parte de lavoura e pastagem”, afirma. Coutinho ressalta que apesar das pancadas regulares, a quantidade de chuva ainda é pequena para melhorar a situação da água na região. “A chuva está voltando e já melhorou muito em relação ao que estava no final de dezembro e janeiro, quando não chovia. Porém, não está resolvendo em nada o problema de água. Deve levar mais tempo para a recuperação da água. Provavelmente mais um ou dois meses”, explica.
Ele revela ainda que a chuva em maior quantidade deve vir no final de março e nos meses que seguem. Coutinho explica que o ideal é que a situação seja revertida aos poucos. “O ideal é que a recuperação seja lenta, é melhor que chova 20 ou 30% a mais em março, em abril e em maio do que ter o dobro da chuva em março. Esse pouquinho a mais da média é suficiente para ir repondo”, relata.  
O gerente regional da Casan, Gilmar Rigo, afirma que o racionamento deve continuar até que o volume de chuva aumente. “Nós continuamos com o sistema de rodízio atual, até porque essa chuva que veio, embora ela seja uma chuva boa, não conseguiu evoluir a questão do nível das águas dos mananciais. Ela trouxe uma pequena melhora, mas se nós tivermos maior volume de chuva nos próximos dias, não há dúvida de que nós conseguiremos normalizar a situação da água”, destaca.
Rigo ressalta ainda que o consumo de água baixou nos últimos dias por conta da diminuição da temperatura mas o alerta ainda é de que a população fique atenta e faça uso consciente da água até que a situação se normalize. “O que dá pra se notar é que diminuiu bastante o consumo, pois a temperatura baixou. Mas, continua o alerta para que a população continue economizando até que chova um volume grande de água. Ainda há estado de alerta e, por isso, a população precisa continuar se conscientizando sobre o uso da água”, conclui.

Internet

Quando a rede vira um vício

Camila Hundertmarck

É difícil perceber o momento em que alguém deixa de fazer o uso saudável da Internet para estabelecer com ela uma relação de dependência. O diagnóstico do vício pode ser detectado a partir do momento em que comportamentos relacionados à Internet começam a interferir nas relações sociais da vida de uma pessoa. Desde seu surgimento no auge da Guerra Fria, por volta de 1960, a Internet se tornou importante fonte de pesquisa, informação e entretenimento. O uso da Rede encurtou distâncias, aproximou fronteiras e democratizou o acesso à informação. Porém, para algumas pessoas, a Internet assumiu um papel polêmico. Hoje em dia, muita gente não consegue imaginar ficar longe do monitor por alguns minutos sequer.

Luisa Regina Ceccon, 16 anos, passa a maior parte do seu tempo navegando na Internet. São em média 11 horas em frente ao computador. “É mais tempo do que eu devia, mas como isso já virou uma rotina não tem como evitar”, relata. A adolescente conta que quando está em frente ao computador acaba esquecendo as demais atividades e tarefas diárias. “Com esse vício, acabei esquecendo de compromissos e tendo desatenção nas atividades cotidianas”, avalia.
Para Luisa, a ansiedade da informação é uma das principais causas para essa procura tão grande da Internet. “Já tentei ficar um tempo sem, mas acabo ficando ansiosa, pois quando isso vicia, você sempre tem a curiosidade de saber o que esta acontecendo no mundo virtual”, conta. Luisa ressalta que apesar do gosto pela rede, conhece as conseqüências do uso indevido dela para o convívio social. “Tudo o que é em excesso prejudica. Acabamos trocando nossa vida real pela virtual, e isso gera várias conseqüências para o nosso convívio em sociedade”, reflete.
Na atualidade é quase impossível achar quem não seja adepto do mundo virtual. Luisa acredita que com as facilidades que a rede traz fica impossível se desligar dela por muito tempo. “Creio que agora e ao passar dos anos as pessoas vão se tornar cada vez mais dependentes do computador, porque através dele você pode fazer várias atividades sem precisar sair de casa”, relata. A adolescente cita ainda que a partir da Internet é possível criar um mundo próprio com todas as coisas que caracterizam seu gosto pessoal. “Você cria o seu mundo, você pode escolher o que quer ver ou não. Por isso as pessoas estão cada vez mais substituindo o mundo real pelo virtual”, opina.

INFORMAÇÃO E PRATICIDADE

Para outras pessoas, no entanto, a timidez é o principal motivo da substituição do mundo real pelo virtual. Dessa forma, as redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter, se fortificam cada vez mais. Hoje em dia, com a tecnologia dos notebooks, tablets, ipod’s e diversos outros tipos de aparelhos móveis, ficou ainda mais fácil se conectar a Internet em qualquer lugar, a qualquer momento.
Luiz Felipe Barth, 17 anos, se considera um viciado em Internet, porém, conta que sabe selecionar o tempo certo para navegar pela rede. “Apesar de ser viciado, eu sei a hora certa de usar a Internet, até porque durante o dia eu não tenho muito tempo para navegar”, relata. Luis Felipe conta ainda que a grande procura pela rede acontece por causa das inúmeras oportunidades que ela oferece. “Na Internet não tem apenas coisas fúteis, tem bastante informação e entretenimento também”, garante.
O adolescente passa, em média, cinco horas diárias navegando na Internet. Conforme ele, os afazeres diários fazem com que o único período disponível para o acesso à Internet seja a madrugada. “Eu sei que eu deveria dormir mais cedo, mas como durante o dia não tenho muito tempo para isso, eu navego de madrugada para conversar e me manter atualizado”, diz. Luiz Felipe destaca, porém, que sabe as conseqüências que o uso excessivo da Internet pode causar. :)“Tudo que é demais prejudica”, afirma o adolescente. Para ele, a facilidade em encontrar tudo o que se procura é um dos principais motivos pelos quais a Internet vem chamando tanto a atenção. “A Internet possibilita essa praticidade de conseguir informações e entretenimento, a facilidade de conhecer gente nova e conversar com seus amigos”, justifica.


ENTRETENIMENTO PARA TODAS AS IDADES


Rosane Hundertmarck

Até mesmo quem fazia do computador um bicho de sete cabeças já aderiu à moda e não deixa de dar uma conferida na rede uma ou duas vezes por dia. A dona de casa Rosane Pompeo, 50 anos, é um exemplo de que a Internet possui adeptos de todas as idades. Ela relata que nunca havia se interessado pela rede antes de conhecer as facilidades e possibilidades que ela disponibiliza. “Comecei a usar a Internet quando meus filhos criaram uma rede social para mim. No começo foi muito difícil aprender, mas com o tempo ficou tudo mais fácil”, revela. Segundo ela, que também é artista plástica, a Internet, além de diversão, também pode agregar conhecimento. “Faço pesquisas de desenhos para minhas pinturas, procuro as músicas que gosto e ainda falo com minha filha que está longe”, justifica.

A dona de casa opina que o uso da Internet deve ser moderado e controlado pelos pais quando os usuários são crianças e adolescentes. “Vejo crianças de 5 ou 6 anos navegando por horas na Internet. Além da possibilidade do vício, a Internet possui muitos perigos e os pais devem ficar atentos”, aconselha. Para ela, o acompanhamento dos pais é fundamental para a formação do comportamento dos filhos. “Acho que os pais têm que dar um limite, distribuir outras tarefas no dia-dia da criança, como a leitura de um livro, por exemplo”, finaliza.



sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Dia Mundial do Câncer


Em 20 anos, doença deve ser a principal causa de morte

Lembrado no dia 4 de fevereiro, o Dia Mundial do Câncer é uma oportunidade para chamar a atenção sobre o crescimento dos casos da enfermidade, que até 2030 deve ultrapassar as doenças cardiovasculares e se tornar a principal causa de morte no mundo

SÃO MIGUEL DO OESTE

Camila Hundertmarck

     O Dia Mundial do Câncer foi instituído em 2005 pela União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) e é celebrado todo o ano no dia 4 de fevereiro. A data tem como objetivo chamar a atenção das nações, líderes governamentais, gestores de saúde e do público em geral para o crescimento do câncer, que vem atingindo proporções alarmantes no mundo. Conforme dados oficiais da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 12,7 milhões de pessoas são diagnosticadas todo ano com câncer e 7,6 milhões de pessoas morrem vítimas da doença. Os estudos revelam que até 2030 serão 26 milhões de novos caso e 17 milhões de mortes por ano no mundo.
     Em São Miguel do Oeste, até o ano de 2009, cerca de 40 pessoas morreram vitimas de câncer.  Conforme os dados apresentados em palestras no município, traquéia, laringe, lábio, boca, brônquios e pulmões foram os órgãos com maior incidência das neoplasias. Os cânceres de estômago, esôfago, fígado, pâncreas próstata, mama e colo do útero também entram nas estatísticas de mortes na região. Somados, esses tipos de cânceres fizeram mais de 50 vítimas de 2005 a 2009 no município.
    De acordo com a secretária da saúde, Beatriz Soares, é freqüente o número de casos diagnosticados todo o ano em São Miguel do Oeste. “Temos praticamente todos os dias casos diagnosticados. Não temos um dia específico para cuidar do câncer, mas trabalhamos em todas as nossas ações. A gente sempre está falando na prevenção. Os próprios agentes de saúde, quando passam nas casas, reforçam o cuidado que se tem que ter com a doença”, adverte.
     Beatriz ressalta que a quantidade de casos vem aumentando espantosamente ano após ano no município. Para ela, os principais motivos são as condições climáticas, os hábitos alimentares e os tóxicos. “É assustador a quantidade de pessoas que são diagnosticadas com câncer. O sol está mais intenso, os alimentos que a gente ingere são inadequados e infelizmente a população não tem uma redução do uso do cigarro. O tabaco também é um importante causador do câncer”, explica.
     Conforme o clínico geral Wilson Stang, os cânceres que mais matam no mundo são os de pulmão, mama, colo uterino, retal e esôfago. Ele explica que o aumento no número de casos de câncer não é uma realidade apenas brasileira, já que os diagnósticos estão aumentando no mundo todo. Stang revela que a população precisa estar atenta aos sintomas para que seja possível um diagnóstico precoce. “Quanto mais precoce o câncer for diagnosticado, mais chances de cura terá. Se for diagnosticado no principio, ele pode ser curado em até 100% dos casos” explica.
    O médico alerta ainda que as pessoas que já possuem histórico de câncer na família devem ter um cuidado redobrado. “A população precisa ficar atenta no que diz respeito ao câncer. Aqueles que já tiveram casos da doença na família devem ficar ainda mais alertas. Para isso, é preciso que se faça consultas regulares e exames específicos para cada tipo de câncer”, explica.
     Ao receber o diagnóstico da suspeita, o paciente precisa ser operado imediatamente para coleta do material que deve ser encaminhado para a biópsia. Se a suspeita for confirmada, é preciso que o paciente seja encaminhado para um cirurgião geral ou oncologista. Stang explica que o cirurgião é responsável pela retirada do tumor, mas que o restante do tratamento deve ser feito por quimioterapia. “Após a retirada da neoplasia, é feito um tratamento com quimioterápicos para tratar as células neoplásicas que ainda persistem. Além disso, pode se fazer um tratamento associado à radioterapia que também auxilia na eliminação de células cancerígenas”, ressalta.

A DESCOBERTA DA DOENÇA
Carmem Maria Lolatto
      A dona de casa, Carmem Maria Lolatto, 50 anos, descobriu que tinha câncer há quase dois anos. Ela conta que as células cancerígenas do sistema linfático foram descobertas através de consultas e exames feitos todo o ano. “Eu fazia sempre os meus exames de rotina e uma vez por ano mamografia e duas vezes ultrassons do seio e intra-vaginal, que são órgãos onde as mulheres têm mais probabilidades de ter câncer”, relata.
       Carmem conta que os sintomas eram parecidos com a menopausa e que por isso nunca imaginou que poderia se tratar de câncer. “Eu tinha muito cansaço e calorão e achava que era porque já tinha entrado na menopausa. Eu nunca pensei que eu estivesse com a célula cancerígena. Fui fazer meus exames e sempre apareciam nódulos nos meus seios, mas eles não aumentavam nem diminuíam”, conta. A dona de casa explica que só pensou em procurar o médico novamente, após a descoberta de outros três nódulos no pescoço. “Um dia me deu uma dor forte no pescoço. Minha filha olhou e sentiu que tinha três nódulos. Fiz uma consulta e foi retirado um para biópsia”, narra.
        Dias após a consulta e a retirada de um dos nódulos, Carmem recebeu a triste notícia. “Quando veio o resultado, o médico me chamou no consultório e me contou que a notícia não era boa. Ele disse que era câncer”, relembra. Apesar da má notícia, Carmem tinha dois aliados. O câncer estava em fase inicial e não era o mais agressivo. Ela, porém, conta que a sensação foi a pior possível. “A minha primeira sensação foi de morte. Algo muito ruim. Depois, com o passar do tempo, fui aceitando. Hoje em dia a medicina está muito avançada e é possível buscar muitos tratamentos para se recuperar”, ressalta.

QUIMIOTERAPIA
        Uma das fases mais desgastantes do tratamento contra o câncer é a quimioterapia. Os medicamentos utilizados para combater as células cancerígenas são responsáveis pela perda de cabelo nos pacientes. Carmem conta que esta foi uma das fases mais difíceis e mais tristes pela qual já passou. “Na primeira quimioterapia, eu puxava o cabelo e caia. Eu fiquei totalmente careca, mas eu tinha que passar por esse processo. É muito ruim se olhar no espelho e se ver daquela forma”, relata.
       Perto de completar dois anos de tratamento, Carmem está curada. Hoje ela faz quimioterapias de manutenção, apenas para controlar os nódulos e  ter a certeza de que eles não voltem a aparecer em outras partes do corpo. “Na metade do tratamento, os linfomas já haviam sumido. Continuo fazendo quimioterapia de manutenção para não deixar o câncer voltar e, além disso, preciso ter cuidado com a minha alimentação”, explica. Apesar das dificuldades, a dona de casa afirma que encontrou uma nova maneira de ver a vida. “Hoje eu vejo a vida de uma maneira muito melhor, aproveito mais as coisas boas. Isso o câncer me ensinou”, finaliza.

COMO PREVENIR O CÂNCER·  

  1. . Não fume – o cigarro é responsável por 30 % das mortes por câncer
  2. · Mantenha uma dieta equilibrada rica em frutas e verduras e reduza proteína animal do cardápio
  3. · Procure ficar no seu peso ideal, evitando sobrepeso ou obesidade
  4. · Quadros infecciosos, causados por vírus ou bactérias, estão relacionados com 17% de todos os cânceres
  5. · É fundamental adotar um comportamento de sexo seguro e vacinar as adolescentes contra o HPV antes do início da vida sexual